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©
2003
by Fernando Rodrigues |
Antes
de Adquirir um Cão
Como
é do conhecimento geral, o cão é descendente
do lobo, logo, herdou e conservou algumas das características
genéticas e físicas inerentes destes animais. Para se
lidar com um cão, é necessário conhecer as suas
origens, necessidades e compreender quais os motivos que dão
origem a determinados comportamentos por parte destes seres.

Antes
de adquirir um animal, todos nós devemos fazer algumas perguntas
a nós mesmo;
“Tenho
espaço para este animal, para que lhe forneça conforto,
segurança e higiene?”,
“Tenho
disponibilidade financeira para o alimentar convenientemente e pagar
as suas despesas médicas? ”,
“Tenho
capacidades físicas e psicológicas para tratar de
um animal?” e principalmente,
“Quando
chegar a altura das férias, tenho alguém e onde deixar
a minha mascote?”,
“Tenho
tempo para cuidar, tratar, educar e fazer companhia a este animal???”.
Se
a sua resposta for afirmativa a todas estas questões, então
a minha indicação é que sinceramente, adquira um
animal de estimação.
No
entanto se a sua resposta for negativa a qualquer uma destas questões,
então não o faça, porque quando a nossa casa recebe
um novo inquilino, neste caso um animal, temos que nos mentalizar que
estamos perante um ser vivo, que come, bebe, tem calor e frio, que sofre
assim como nós, seres humanos se não formos bem tratados.
No
nosso país, infelizmente ainda subdesenvolvido em relação
a leis que protejam os animais e punam severamente quem os mal trate
e abandone, deparamos todos os anos com o flagelo de animais abandonados
e destroçados nas nossas vias públicas.
É
degradante e triste ver tanto animal sujeito à estupidez
e ignorância humana.
Em Portugal, há duas alturas
do ano em que são mais visíveis os abandonos, no Verão,
quando a maior parte da população vai de férias
e não tem onde deixar os seus animais e a solução
mais prática é abandonar os animais à beira das
estradas e algum tempo após o Natal. No caso
do natal, é frequente andar-mos com as nossas crianças
a passear nos centro comerciais e quando estas deparam com as lojas
de animais, a reacção mais natural, é terem desejo
de ter um daqueles animais que nos olham para lá das vitrinas,
com aquele olhar tão triste como que a dizer-nos;
“Leva-me
para a tua casa, que eu prometo portar-me bem”.
E
nós, num acto espontâneo e não reflectido, acabamos
por ceder aos caprichos das crianças e porque não dizer,
também aos nossos. Ora os problemas começam exactamente
aqui. Quando compra-mos um cachorro, todo ele é lindo, tal qual
um boneco de peluche e pequenote, mas atenção, este pequenote
vai crescer e naturalmente as responsabilidades e os cuidados vão
aumentar também e quando este animal, que no inicio era tão
pequenino e nós andava-mos com ele ao colo, agora já é
ele que nos re boca
a correr nos passeios, que estraga o quintal do vizinho, que nos roeu
o melhor par de sapatos, que urina na carpete acabada de lavar, que
passa a vida a babar-se, que ladra toda a noite e os vizinhos começam
a queixar-se, enfim como tudo isto não foi medido e pensado,
quem é que vai pagar a factura de todos estes problemas???
Obviamente o elo mais fraco, o nosso animal.

Então
num final de tarde, este animal é colocado no carro, supostamente
para ir passear (esta é a versão que
dão aos filhos quando os têm) e pouco depois,
num local de preferência onde ninguém veja, estes animais
são abandonados, atirados, despejados, enfim largados para provavelmente
morrer debaixo de alguma viatura ou mesmo provocar acidentes. E este
dono volta a casa, pensando no que vai dizer aos seus filhos, que o
melhor amigos deles fugiu quando o passeava, que a culpa foi do animal,
porque ele não sabia andar à trela e puxava muito, foi
porque o dono assim não o soube educar, que a culpa foi do animal
porque abria buracos
no quintal do vizinho porque sendo descendente do lobo este animal sente
necessidade de escavar para abrir tocas para se abrigar, procurar terra
mais fresca para se proteger do calor ou escavar para apanhar algum
roedor, que a culpa foi do animal porque roeu o melhor par de sapatos
e urinou na carpete porque não foi educado a fazer as suas necessidades
fora de casa ou num recipiente próprio para tal efeito e roeu
o par de sapatos porque não tinha mais nada para brincar quando
existem milhares de brinquedos à venda mas não vale a
pena gastar dinheiro porque é para um animal, porque roeu os
sapatos devido ao stress de estar tanto tempo sozinho em casa sem nada
que fazer. Que a culpa foi do animal, por ter sido adquirido por um
dono ignorante, irresponsável e desprovido de qualquer consciência
social e moral. Que a culpa foi do animal, porque não teve a
sorte do centro comercial estar fechado naquele fatídico dia.
Enfim,
para este tipo de pessoas, a culpa é sempre do animal, mas para
vocês que acarinham e gostam de animais, espero e desejo que nunca
aconteça este tipo de situações, antes de adquirir
um animal, seja ele comprado, dado ou achado,
“PENSEM NO QUE VÃO FAZER E SE TÊM
CONDIÇÕES
PARA TRATAR DESTE ANIMAL que tantas alegrias nos vão
dar!”.
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